Destaque CCJ

10º PRÊMIO CINECLUBE JACAREÍ - CORVO DE GESSO 2017



FINAL DAS INSCRIÇÕES: 20 DE JULHO DE 2017

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O projeto Cineclube Jacareí existe desde 2007. Com cinco anos de existência, tem uma missão nesta cidade. O dever de repartir com as pessoas o desejo de ver, informar-se e aprender sobre filmes e o cinema.

O inovador projeto Cineclube Jacareí atinge esse ano mais de cento e oitenta sessões do "Cinema de 5ª". Mostrando filmes independentes de cineastas locais e do Brasil. Preparou e entregou mais de cinqüenta estatuetas nas edições do anual "Prêmio Corvo de Gesso". Além de ter produzido centenas de filmes através da "Corvo Produções".

O projeto Cineclube Jacareí é pioneiro na região do Vale do Paraíba. Único grupo de trabalho que realiza a tríplice função no movimento audiovisual: produzir, exibir e premiar os filmes amadores, independentes e feitos em casa. Continuaremos a desfrutar dessa arte.



4 de set de 2012

177ª Exibição - 30 de agosto de 2012

Enfim, tivemos a SESSÂO DIRETORES no CINEMA DE 5ª, evento que acontece toda última semana de cada mês com programação voltada a filmografia de um diretor em especial, e o lembrado da vez, foi, nada mais, nada menos, do que Amacio Mazzaropi, através de “Jeca Contra o Capeta”, mantendo igualmente a tradição folclórica de sempre termos um filme nacional sendo exibido em agosto no CINECLUBE JACAREÌ. Para completar a festa, o bom público que vem nos prestigiando assistiu 3 curtas: "Solo" de Cleisson Vidal, "Violência Doméstica" de Mauro San Martin e "Metal inPressa" de Victor Menezes.

"Solo" e "Metal inPressa" são dois trabalhos que mexem bem com a questão do tempo (sempre relativo) no cinema, o primeiro capta um anônimo fazendo embaixadinhas com a bola, acontecimento que deve ter durado poucos segundo de gravação e o estica em câmera lenta para ressaltar toda a beleza plástica do futebol, transformando-o em uma espécie de dança com cara de Brasil, no passo da capoeira e emoldurado por uma bela praia de fundo – com o sol ressaltando o amarelo – uma das cores pilares de nossa bandeira. Já o segundo transforma o longo processo da impressão de gravuras em metal em um curta de apenas 11 segundos, se aproveitando do ritmo dinâmico e acelerado de sua rápida edição, embalado pelo “Heavy Metal”, claro. Ambos são excelentes exemplos dessa dinâmica cinematográfica, e tal característica dá o tom correto para as duas obras.

Em “Solo” o diretor Cleisson Vidal foi extremamente feliz ao fazer tal fragrante de seu celular, mostrando um sujeito, não necessariamente um claque, porém, com domínio suficiente da arte do futebol para nos encantar com sua ginga e técnica. Enquanto os transeuntes desfilam pela imagem ignorando o show particular do rapaz, que teria passado mesmo batido se não fosse a filmagem feita por Vidal. Daí o singelo título da peça, um “solo” realmente (e de dar inveja aos que conseguem matar a pelota somente nos videogames).

Já em "Metal inPressa", Victor Menezes nos apresenta um curta minuto dos mais curtos que temos registro, num arranjo muito bem orquestrado, aparentando, inclusive, ser mais longo do que de fato é, devido ao impacto dessa linguagem - que tem como único defeito inerente o famoso “piscou, perdeu” para quem (por acaso)  se distraiu durante a exibição.

“Violência Doméstica" aborda a importante questão tema que o nomeia. De forma institucional, temos um breve exemplo dessa violência e o devido lembrete de como podemos combater esse mal que se torna cada vez mais comum nos lares brasileiros. Porém, nossos expectadores mais críticos notaram que sem prévio conhecimento do conteúdo e sem os letreiros que acompanham sua parte final, dificilmente se notaria do que o curta se trata (dialética talvez feita para enganar o olhar e nos surpreender no final). Outra reclamação foi a falta de trabalho de câmera, que estática parece complacente demais (talvez de forma proposital?). Todavia, sua denúncia parece se sobressair dos possíveis equívocos lingüísticos do autor Mauro San Martin. Que fazem do material menos expressivo, ao menos visualmente, do que poderia ter sido.

Depois, tivemos Mazzaropi, que divide a direção com Pio Zamuner em “Jeca Contra o Capeta”, demonstrando já de cara sua reverencia ao sucesso de “O Exorcista”, aqui parodiado. O longa trás todas as características mais marcantes de Amacio, desde seu lapidar personagem ao seu tom simplório e bem-humorado, sem deixar passar cutucadas sociais, culturais e aqui, até religiosas.

Feito em 1974, e a cores, a película tem alguns toques de faroeste, em seu cenário e trama principal, com direito a duelos e brigas no bar local. Todavia, são os elementos do cinema de Mazzaropi que fazem do cinema de Mazzaropi tão irresistível, até hoje. Mesmo datado (focado no anúncio da aprovação da lei do divórcio), o filme permanece universal, com um olhar sobre o mundo que muito bem poderia ser contemporâneo. Isso porque Mazzaropi sempre fez filmes para o povo. Tendo como prioridade entretê-los, numa época onde outros cineastas preferiam se apegar ao discurso ideológico antes de tudo. No contexto do período, a moda era o chamado “Cinema Novo”, vertente que emprestava algumas estéticas européias e as transportava para a filmografia tupiniquim.

Em essência, a idéia era fugir do padrão hollywoodiano e assumir as dificuldades e pobrezas de produção típicas do “terceiro mundo”. Escancarando que as produções feitas aqui eram mesmo de orçamento infinitamente menores e aceitando isso como parte da cultura local. Para tanto, se assumia automaticamente o compromisso solene de mostrar as mazelas e pobrezas sociais, econômicas, políticas, etc., do próprio país. Pois dela deriva os limites explícitos dessa linguagem “empobrecida” (porém, rica artisticamente). Ideologia que principalmente em pleno Regime Militar foi importante e rendeu prêmios e prestigio para os que se enveredaram por esse caminho, entretanto, tal iniciativa nunca caiu no gosto popular, nem se prestava para tanto.

Mazzaropi era um dos poucos artistas brasileiros (senão o único) capaz de realmente lotar as salas de cinema. E por essa “falta de compromisso com a causa” acabou mal visto e tendo seus méritos somente reconhecidos posteriormente, quando em retrospectiva se percebeu que seus projetos não eram acéfalos, apenas usavam de um linguajar mais simples para nunca perder o expectador como foco principal, algo que o filósofos do “Cinema Novo” sempre negligenciaram – obtendo com isso menos sucesso comercial. E  isso se repete na atual retomada do Cinema Nacional.

Muito foi herdado dessa proposta, desse dever para com a nação, em contribuir socialmente, politicamente... Principalmente, agora que os longas são subsidiados massivamente pelas leis de incentivo, fazendo com que esse “retorno” do investimento público seja mais imperativo. Mas, infelizmente, não temos tantos “Mazzaropis” hoje em dia para equilibrar a balança, para nos lembrar que não adianta tamanho “comprometimento” se a parcela de pessoas interessadas por essas fitas é diminuta. Mazzaropi deixou um legado indelével para as futuras gerações, mas seu principal ensinamento ainda não foi aprendido em definitivo. Cinema deve ter como único patrão o público, e uma vez tendo os conquistado, fica mais fácil transmitir qualquer mensagem, das mais tolas as mais significantes. E esse é o caminho. Não o contrário.


Após os debates, foi sorteado um Kit com produtos de perfumaria e higiene pessoal cedido pela DROGARIA ECONÔMICA, e a vencedora foi Andressa Decarla. Parabéns a premiada e até a próxima SESSÃO DE 5ª, comemorativa dos 5 anos de CINECLUBE JACAREÍ!