Destaque CCJ

10º PRÊMIO CINECLUBE JACAREÍ - CORVO DE GESSO 2017



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O projeto Cineclube Jacareí existe desde 2007. Com cinco anos de existência, tem uma missão nesta cidade. O dever de repartir com as pessoas o desejo de ver, informar-se e aprender sobre filmes e o cinema.

O inovador projeto Cineclube Jacareí atinge esse ano mais de cento e oitenta sessões do "Cinema de 5ª". Mostrando filmes independentes de cineastas locais e do Brasil. Preparou e entregou mais de cinqüenta estatuetas nas edições do anual "Prêmio Corvo de Gesso". Além de ter produzido centenas de filmes através da "Corvo Produções".

O projeto Cineclube Jacareí é pioneiro na região do Vale do Paraíba. Único grupo de trabalho que realiza a tríplice função no movimento audiovisual: produzir, exibir e premiar os filmes amadores, independentes e feitos em casa. Continuaremos a desfrutar dessa arte.



26 de ago de 2012

176ª Exibição - 23 de agosto de 2012

Mais uma noite de bom público deu o toque inicial do CINEMA DE 5ª dessa semana, que estava com uma programação repletas de atrações, como o curta “Bang-Bang” de Vini Trash e a animação “Meu Amiguinho” de Elias Pacheco, aperitivos para a exibição do longa “A Bruxa de Blair”, que marcou época por sua inventividade e faz parte do hall da fama do terror e do suspense moderno.

"Bang-Bang" é uma brincadeira que mostra o encontro de mocinhos e bandido em um faroeste com toques de “Monty Python”. Dirigido por Vini Trash, a peça logo chamou a atenção dos espectadores pela excelente fotografia, que se aproveitou muito bem da ótima locação escolhida para a filmagem. Embora alguns não tenham gostado dos aspectos mais jocosos dessa paródia, tal característica é marca característica das obras assinadas por Vini, um dos mais prolíferos autores a aparecer nas sessões do CINECLUBE JACAREÌ, tendo dirigido dezenas (senão centenas) de curtas. Além de já ter se aventurado na produção de médias e longas, sendo um dos nomes mais premiados no CORVO DE GESSO, na qual ganhou uma dúzia de estatuetas. Sempre com um estilo irreverente e de humor anárquico, Vini tem como objetivo a diversão descompromissada, contudo, seu empenho em realizar peças realmente sem as “levar a sério”, muitas vezes resulta em um “descompromisso” tão grande que retira certa “significância” de suas realizações. Comparando com seus primeiros ensaios na Sétima Arte, fica notório o quanto ele evoluiu, possuindo hoje um enorme domínio de câmera, grande senso fotográfico e uma edição cada vez mais cuidadosa. "Bang-Bang” trás todas essas qualidades, como a já citada fotografia, que dá o tom correto para o projeto. Capricho que se estende a objetos de cena de qualidade e bons efeitos na pós-produção.

Dentre todas as suas habilidades cinematográficas, a que parece mais defasada em comparação as demais é o roteiro. Que carece de maiores cuidados. Vini até tem boas idéias e sacadas, mas peca ao desdobrá-las. Por isso certa insatisfação demonstrada por vários de nossos críticos durante o debate pós-exibição. Que exclamaram certa inquietude com o resultado, que “prometia mais do que entregou”, ou “não era bem o que eu esperava”, como ressaltaram. Tais críticas obviamente não se direcionam a quase impecável parte técnica, e claramente a reclamação não é quanto à premissa, igualmente, pois ela é interessante. Como citado, Vini tem boas idéias e sacadas, o que cria maiores expectativas, principalmente em um produto esteticamente tão agradável. E quando essas expectativas não são atingidas, é quase que inevitáveis algumas indagações pontuais. Mesmo em meio aos elogios. Que deságuam mais especificamente nessa falha de desenvolvimento do texto. Só para citar alguns exemplos, em "Bang-Bang" não existe nenhuma justificativa para a presença do vilão, que simplesmente aparece no caminho dos mocinhos, lógico que tal minimalismo é aceitável, todavia, essa informação poderia render ao menos uma piada a mais, ou novas situações, ainda mais interessantes do que as apresentadas. Assim como a lembrada falta de outros clichês do gênero, como o Xerife (cuja ausência aqui poderia ser proposital e usada como escárnio a omissão dos mesmos nos típicos westerns), sem contar as recompensas para captura de criminosos, duelos estilo “atirador mais rápido do Oeste”, etc. Elementos que poderiam compor e acrescentar ao que foi proposto. Ou seja, havia muito mais a ser explorado referente ao tema abordado, entretanto, como o conceito é apenas propiciar um passa-tempo sem grandes ambições, a ganância de bolar algo mais expressivo passa batido.
Vini limita sua capacidade. Mesmo em seu cinema de diversão descompromissada. É possível também visar o bom. Como ele mesmo vem buscando em sua direção, edição, fotografia, cenografia... Assim, um pouco mais de empenho e “compromisso” na parte escrita, mesmo que para isso seja necessário reescrever e revisá-la constantemente, faria de seus curtas títulos muito mais completos e/ou atrativos. E com certeza, mais condizentes com seus talentos em franco desenvolvimento.

“Meu Amiguinho” é uma animação diferente das que costumam aparecer no CINEMA DE 5ª. Primeiro pela ousada metragem, atingindo 10 minutos, uma enormidade em se tratando de animação. Segundo, por se propor a contar uma história realmente, fugindo do padrão de “pequenas situações” que caracterizam boa parte das “tramas” dos desenhos que o CINECLUBE JACAREÌ recebe. Mesmo ganhando inúmeras negativas quanto à parte técnica, considerada amadora e “tosca”, o curta foi muito bem recebido pelos cinéfilos presentes, contentes não só com essa estrutura mais encorpada, mas, sobretudo, com as reviravoltas do enredo, que prende e chama mesmo a atenção. O consenso geral é que com uma roupagem mais profissional, o curta se destacaria facilmente, pois é gostoso de ser assistido - envolvendo e sabendo tocar em diversas temáticas, com elevado senso crítico, sem perder seu valor enquanto entretenimento. Algo que demonstra toda a aptidão narrativa do diretor Elias Pacheco, que vem entregando exemplares cada vez melhores, inclusive, aos poucos, desenvolvendo sua técnica para que ela se torne outro motivo de aplauso - e não mais de ressalva.

“Bruxa de Blair” é um clássico contemporâneo que criou a moda atual de pseudo-documentários, usando dessa linguagem para dar mais realismo a esse tipo de filmografia e possibilitando que mesmos filmes independentes e com orçamentos menores pudessem migrar para o “cinemão” comercial, uma vez que provaram ser rentáveis apesar do baixo investimento necessário para criá-los.

Fingindo ser uma montagem de filmagens reais de estudantes de cinema que se perderam numa floresta amaldiçoada pela lenda que dá nome a película, o longa-metragem segue um dos preceitos mais preciosos do suspense: assustar mais com o que não é mostrado do que com o que aparece na tela, mexendo assim com o psicológico dos personagens e por conseqüência de quem está assistindo tudo sentado na poltrona.

A ansiedade pelo que pode acontecer se encarrega de mexer com os brios de todos, e isso é feito muito bem pelos diretores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Infelizmente, com o passar dos anos, esse impacto foi se perdendo, sendo substituído por uma visão cansativa e arrastada da fita - que não se sustenta tão bem quando desprovida da ilusão criada pelo marketing do filme: de que tudo o que estamos assistindo é verdade. Para tanto, até mesmo foi engendrado um documentário falso que precedeu o lançamento de “Bruxa de Blair” em 1999. Ressaltando a “realidade” do retratado nas telonas e se aproveitando do crescimento da internet para espalhar o boato.

Até os atores (virtualmente desconhecidos, de propósito) emprestaram seus próprios nomes para seus respectivos papéis para manter a farsa, estimulada por sustos que não estavam no roteiro, já que os produtores fizeram o trio que estrela o conto passar por maus bocados para extrair reações verdadeiramente convincentes - numa “pegadinha” que ajudou muito a vender o lado “documental” dessa ficção.

Tal façanha criativa, que transformou algo gravado com pouco dinheiro render fortunas nas bilheterias, ampliada pela jogada de vendê-lo com verídico, hoje não funciona, desde que o “truque” deixou de ser novidade, ele não surte mais efeito. Ninguém se deixa enganar atualmente por essas jogadas, exigindo outros atrativos para manter o esquema de “câmera amadora” ainda vivo e lucrativo. Vide histórias melhor trabalhadas e sustos um tantinho mais constantes e impactantes. Mesmo assim, o feito atingido aqui não pode - e nem deve - ser ignorado. Façamos justiça.

E para acabar tudo em pizza, o ganhador e agora tri-campeão do VALE PIZZA cedido pelo XICO PIZZA sorteado ao final do debate, foi o Lucas Plesky. Parabéns ao sortudo e até a próxima, galera!