Destaque CCJ

10º PRÊMIO CINECLUBE JACAREÍ - CORVO DE GESSO 2017



FINAL DAS INSCRIÇÕES: 20 DE JULHO DE 2017

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-Saiba sobre o Cineclube Jacareí

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O projeto Cineclube Jacareí existe desde 2007. Com cinco anos de existência, tem uma missão nesta cidade. O dever de repartir com as pessoas o desejo de ver, informar-se e aprender sobre filmes e o cinema.

O inovador projeto Cineclube Jacareí atinge esse ano mais de cento e oitenta sessões do "Cinema de 5ª". Mostrando filmes independentes de cineastas locais e do Brasil. Preparou e entregou mais de cinqüenta estatuetas nas edições do anual "Prêmio Corvo de Gesso". Além de ter produzido centenas de filmes através da "Corvo Produções".

O projeto Cineclube Jacareí é pioneiro na região do Vale do Paraíba. Único grupo de trabalho que realiza a tríplice função no movimento audiovisual: produzir, exibir e premiar os filmes amadores, independentes e feitos em casa. Continuaremos a desfrutar dessa arte.



25 de jul de 2012

171ª Exibição - 19 de julho de 2012


A 171ª sessão do nosso CINEMA DE 5ª foi atípica por conta dos diversos eventos simultâneos que aconteceram na cidade de Jacareí, não pudermos utilizar a Sala Mário Lago, nossa casa habitual, e novamente fomos abrigados nas dependências da Fundação Cultural. Mesmo assim, nosso público fiel nos prestigiou como sempre fazem, comparecendo apesar da mudança inesperada de local e da acomodação providenciada.

Como aperitivo, tivemos o curta "O Livreiro" de Wagner Rodrigo Silva, documentando a questão do livro digital e seu análogo de papel no Brasil. Elogiado pelos espectadores por tocar num assunto importante: a leitura e a preservação desse hábito tão pouco incentivado dentre a grande maioria dos brasileiros, o título passeia por diversos temas, como a democratização da digitalização do saber e o prazer incomparável de se ter um livro físico nas mãos, folheando cada página, fazendo anotações e levando-o embaixo do braço para qualquer lugar. Até mesma a questão do áudio-book foi levantada durante o debate, uma necessidade para aqueles que não podem enxergar ou não sabem ler e um produto pronto para as mídias digitais, que hoje colocam obras antes presas somente a estante na tela até do seu celular.
Bem filmado, usando uma câmera de apóio para entrecortar o ângulo fotografado das pessoas ouvidas, o curta recebeu algumas críticas por começar direto em meio a uma discussão sem uma prévia contextualização, que prepararia melhor o público sobre a questão. Também pelo falta de imagens de apoio, tendo sua filmagem formada quase que inteiramente por closes nos depoentes, excetuando eventuais (e cansativos) dados informativos. Na esteira, foi levantada uma falha na linguagem, que não encaixa tão bem os debates ao entrecortar a fala de um entrevistado com outro, assim, por vezes, mudando totalmente a conversa que se formava, sem se aprofundar nela (vide a questão de ser impossível viver como escritor em terras tupiniquins devido às baixas vendagens). Algo até entendível já que seria impossível se estender demais, por mais interessante e abrangente que fosse o tema, como é o caso, em apenas 5 minutos de filme, logicamente. A sensação final foi de que o trabalho é elogiável na iniciativa, contudo, pouco acrescenta por se prender em sua proposta somente de forma superficial.

Já como aperitivo principal tivemos a exibição do longa “Uma Escola de Arte Muito Louca” (Art School Confidential) de Terry Zwigoff. A película baseada nos quadrinhos de Daniel Clowes (na verdade um pequeno conto composto por apenas quatro folhas) marca a segunda parceria do cineasta com o prestigiado autor de HQs, que já rendera o ótimo e virtualmente desconhecido “Ghost World” de 2002. Contudo, aqui, logo nossos sagazes críticos notaram que o nome estilo “sessão da tarde” já denunciava os diversos pontos fracos da versão filmada. Muito da realidade das escolas de arte (como os tipos que a freqüentam) e o sarcasmo adotado por Clowes no original sobreviveu no roteiro co-escrito por ele.

Não por acaso, as melhores cenas encontram-se justamente onde esses pedaços de originalidade são mantidos na trama, claro, gerando situações realmente engraçadas (como a notória guerra de egos entre os “artistas” e o que de fato é arte?) e uma paródia sincera sobre as peculiaridades do ambiente e das pessoas num curso desse porte (uma vez que se baseia nas lembranças do próprio criador). Todavia, todos esses trechos são apenas pontuais, enquanto o restante do enredo perde-se no “feijão com arroz” da comédia-romântica com um pouquinho de suspense. Elementos que levam a um final considerado fraco unanimemente pelos presentes, além de "fantasiar" demais a história, perdendo muito daquele interessante conceito “biográfico” presente na sua contraparte desenhada. Acontece que era necessário inventar muita coisa para transformar as parcas páginas de Clowes num longa-metragem de 102 minutos. Nesse caminho de “engorda” os produtores optaram por alternativas populares ao invés de investir nas qualidades indies herdadas do gibi da qual livremente adapta.

O romance “água com açúcar”, piadas clichê e uma esquisita subtrama de assassinatos no campus foram prontamente adicionados só para chegarmos ao formato audiovisual concebido por Zwigoff, amputando o que a narrativa poderia ter de mais interessante em prol de algo bem mais vendável e garantido para o grande público. Divertindo, mas sem maiores “pretensões”. Parafraseando um dos próprios personagens dessa maluca narrativa: o filme “prostituiu” sua arte para ganhar um espaço maior de mercado. Enfraquecendo substancialmente seu impacto, no processo.
Nessa semana, por motivos logísticos, não tivemos nenhum sorteio, mas na próxima quinta, de volta a nosso cine-teatro costumeiro, teremos muitas novidades no CINECLUBE JACAREÌ. Aguardem!!!