Destaque CCJ

10º PRÊMIO CINECLUBE JACAREÍ - CORVO DE GESSO 2017



FINAL DAS INSCRIÇÕES: 20 DE JULHO DE 2017

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O projeto Cineclube Jacareí existe desde 2007. Com cinco anos de existência, tem uma missão nesta cidade. O dever de repartir com as pessoas o desejo de ver, informar-se e aprender sobre filmes e o cinema.

O inovador projeto Cineclube Jacareí atinge esse ano mais de cento e oitenta sessões do "Cinema de 5ª". Mostrando filmes independentes de cineastas locais e do Brasil. Preparou e entregou mais de cinqüenta estatuetas nas edições do anual "Prêmio Corvo de Gesso". Além de ter produzido centenas de filmes através da "Corvo Produções".

O projeto Cineclube Jacareí é pioneiro na região do Vale do Paraíba. Único grupo de trabalho que realiza a tríplice função no movimento audiovisual: produzir, exibir e premiar os filmes amadores, independentes e feitos em casa. Continuaremos a desfrutar dessa arte.



14 de jul de 2012

170ª Exibição - 12 de julho de 2012

Cinema de 5ª

Semana passada o CINEMA DE 5ª havia batido o recorde de expectadores no ano, para nossa alegria. E agora o recorde não só foi batido novamente como tivemos o maior público dos últimos dois anos de CINECLUBE JACAREÍ, que completará cinco “aninhos” de existência ainda em 2012. Parabéns, rapaziada! Agradecemos demais ao apóio de todos vocês que sempre nos prestigiam semanalmente e a essa equipe fantástica que faz deste projeto um orgulho da região e do cinema regional. Dito isso, devemos agradecer também as férias do meio de ano, que costuma nos ajudar a ter mais convidados, devido ao maior tempo livre, e a uma programação bem chamativa, que incluiu o clássico da animação japonesa “Akira” (um pedido de longa data de nossos freqüentadores) e dois aperitivos de uma só vez: o clipe musical "Lua Cheia - Emanuelle n’ Roll" e o curta animado "Minha Querida Formiga".
Clipes musicais é uma categoria importante de nosso festival anual que culmina na premiação CORVO DE GESSO que ocorre todo final do ano, desta vez, o escolhido da noite, "Lua Cheia - Emanuelle n’ Roll" de Magnum Borini trouxe uma divertida homenagem ao rei do pop Michael Jackson, apresentando os “monstros do rock”. Na pele da banda Emanuelle n’ Roll se transformando em vampiros, lobisomens e outras tantas criaturas da cripta, ao melhor estilo “Thriller”. A peça dividiu opiniões, com alguns curtindo o som e outros não, até por gostos pessoais, enquanto a maquiagem hora era ressaltada, hora debochada, com alguns a levando a sério e outros entendendo que seu aspecto “tosco” era justamente parte da brincadeira. O vídeo na verdade lembrou muito os clips “caseiros” de rock feitos com as antigas câmeras VHS no início dos anos 80, numa era em que a MTV ainda engatinhava e começava a moldar o formato moderno e menos brega da música que conhecemos hoje nos videoclipes em Alta-Definição. Uma “nostalgia” visual que se foi feita propositadamente é de se admirar, ou caso tenha sido mero ocaso acidental pela falta de qualidade e amadorismo, de se lamentar.
Já o desenho "Minha Querida Formiguinha Lalá", a principio, foi muito criticado, quase de forma unânime, pela pobreza visual e pelo conteúdo simplório. Todavia, como foi sabiamente lembrado durante o debate, seu maior mérito foi ter sido feito independente de suas falhas técnicas e/ou artísticas. Até de forma ingênua, se aventurando de coração aberto pelo audiovisual, aprendendo a fazer e a contar histórias, num exemplo que serve de estimulo para aqueles que também produzem, mas escondem suas obras, temerosos por qualquer eventual crítica ou mesmo deixam de realizar seus projetos por se julgarem incapazes. O autor Ailton Machado Diniz está de parabéns pela coragem de dar esse passo e caminhar sem receios pela Sétima Arte, com todas as indiossicrassias possíveis, que fazem parte da experiência cinematográfica, afinal. Talvez o título tivesse sido até melhor recebido se não fosse pela exibição de “Akira” logo na seqüência, pois a perfeição do longa de Katsuhiro Otomo deixa exageradamente nítida as imperfeições do curta que o precedeu. Proporcionalmente, um “gigante” perto de uma simples “formiguinha”. Infelizmente.

Falando em “Akira”, o famoso anime estreou nos cinemas nipônicos no dia 16 de julho de 1988, curiosamente, sua esperada exibição no CINEMA DE 5ª se deu no dia 12 de Julho de 2012, quatro dias antes de completar 24 anos! Mas nem parece que tanto tempo se passou assim. O longa-metragem permanece irretocável em sua técnica mesmo para os padrões de agora. Sua fluidez de movimentos, quantidade de objetos por take, cenários super detalhados, foram frutos de um empenho admirável que o coloca no mais alto patamar de qualidade que o "2D" é capaz de chegar. Mesmo introduzindo, de forma inovadora pra época, alguns rudimentares elementos em computação gráfica, a obra-prima de Otomo sempre será lembrada como um referencial imbatível quando o assunto é desenhar ambiciosamente tudo à mão, na raça e no capricho do diretor e sua competente equipe. E é nesses detalhes que “Akira” faz toda diferença. Como o total sincronismo labial (coisa rara até então) e uma trilha que mistura instrumentos tradicionais da terra do sol nascente com o eletrônico - numa mistura do “velho” com o “novo”.

Muito foi comentado após a sessão sobre essa pujança (que faz de “Akira” a mais cara animação japonesa já produzida). Algo que salta aos olhos de quem gosta do gênero. Igualmente, fartos elogios foram feitos ao enredo, que consegue condensar uma quantidade enorme de tramas e personagens em duas parcas horas de filme, que passam rapidinho, cheia de mudanças bruscas, num ritmo frenético que pode pegar os mais desavisados desprevenidos. Estes, correndo o risco de se perderem pelos caminhos que a saga dos motoqueiros rebeldes de Neo-Tokyo acaba tomando. Baseado no mangá homônimo lançado entre 1982 e 1990, a narrativa toca em assuntos importantes, vide o crescimento desgovernado das megalópoles, trazendo consigo problemas sociais como o aumento do desemprego, incapacidade do estado em dar suporte as necessidades básicas da super população e a conseqüente escalada da violência urbana (que o filme mostra sem poupar gotas de sangue), sobretudo, entre os jovens. Presos num beco sem-saída de drogas e/ou rebeldia como única alternativa de vida.

O fato de Tetsuo, um dos garotos delinqüentes da gangue comandada pelo amigo, Kaneda, despertar incontroláveis poderes psíquicos, demonstra a preocupação de Otomo com o futuro e o despreparo das novas gerações, denunciando através de sua “fantasia realista” que a sociedade se preocupa mais com o desenvolvimento das grandes cidades do que na devida capacitação humana. Deixando-os despreparados para desfrutar dos avanços da ciência e incapazes de dar os saltos desejados tanto socialmente quanto espiritualmente. Essa falta de investimento no homem (ao contrário do seu maquinário) fica claro também no descontrole simbolizado por Akira, a criança que dá nome ao filme e que deveria servir de exemplo para que os equívocos do passado não fossem cometidos novamente - repetindo a roda destrutiva que a humanidade se colocou ao ignorar valores mais importantes em detrimento das coisas materiais. Assim, o cineasta passeia por uma vasta variedade de temas, como a corrupção política, estados totalitários para “amenizar” o caos generalizado, seitas que pregam a (falsa) salvação, e a inevitável (num olhar mais pessimista) destruição em massa - caso não ocorra uma verdadeira evolução humana.

A sessão de “Akira” não poderia ter acontecido em melhor hora para o CINECLUBE JACAREÍ, que estava realmente precisando engrossar seu número de animações exibidas (esta é apena a segunda a aparecer em sua programação). Um épico que quebrou barreiras (como a lenda que dizia que “desenho era somente pra crianças”) e abriu as portas para que o mangá e o anime se tornassem cada vez mais populares no ocidente. O longa continua extremamente atual, em temos de imagem e mensagem que transmite ao público, propiciando aos que não o conheciam uma oportunidade única para descobrirem esse filme tão reverenciado (não por acaso). Além de permitir a seus fãs mais ardorosos o assistirem num lugar mais apropriado: nas telonas do cinema.
Fechando as cortinas, em nossa hora da PIZZA DO CHICO, o vencedor do VALE PIZZA foi o André Nogueira. “Bon Appétit” ao vencedor e até a próxima quinta!