Destaque CCJ

10º PRÊMIO CINECLUBE JACAREÍ - CORVO DE GESSO 2017



FINAL DAS INSCRIÇÕES: 20 DE JULHO DE 2017

FAÇA SUA INSCRIÇÃO CLICANDO NOS LINKS ABAIXO:

FICHA DE INSCRIÇÃO (Clique Aqui)

REGULAMENTO (Clique Aqui)


-CURTA E SIGA O CINECLUBE JACAREÍ E CORVO DE GESSO NAS REDES SOCIAIS:

https://www.facebook.com/CineclubeJacarei/

https://www.facebook.com/CorvoDeGesso/

https://www.youtube.com/user/cineclubejacarei


-Saiba sobre o Cineclube Jacareí

cineclubejacarei@gmail.com

O projeto Cineclube Jacareí existe desde 2007. Com cinco anos de existência, tem uma missão nesta cidade. O dever de repartir com as pessoas o desejo de ver, informar-se e aprender sobre filmes e o cinema.

O inovador projeto Cineclube Jacareí atinge esse ano mais de cento e oitenta sessões do "Cinema de 5ª". Mostrando filmes independentes de cineastas locais e do Brasil. Preparou e entregou mais de cinqüenta estatuetas nas edições do anual "Prêmio Corvo de Gesso". Além de ter produzido centenas de filmes através da "Corvo Produções".

O projeto Cineclube Jacareí é pioneiro na região do Vale do Paraíba. Único grupo de trabalho que realiza a tríplice função no movimento audiovisual: produzir, exibir e premiar os filmes amadores, independentes e feitos em casa. Continuaremos a desfrutar dessa arte.



29 de jul de 2012

172ª Exibição - 26 de julho de 2012


Na noite uma produção carregada de efeitos especiais. Outra, o trocadilho usando o homem e o macaco para contar a história da desgraça humana de cabo a rabo. Nihilum e Planeta dos Macacos foram os filmes escolhidos para essa sessão.

Nihilum é um filme de conceito na idéia e nebuloso na confecção. Uma recriação mitológica encoberta pelos recursos de computação gráfica. Na história, uma jovem é tentada a se corromper e aceitar o mal para proliferá-lo na tribo onde vive. O filme foi avaliado como imaturo ao substituir a história por efeitos especiais o que o torna lento e embaralhado na condução narrativa.

O sucesso de O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes), de 1968, brilha até hoje por ser a primeira adaptação de uma história sobre nós, criaturas mal educadas, escrita por Pierre Boulle em 1963 de mesmo título. Uma síntese social da miséria do nosso pensamento religioso e político nos últimos séculos.

As reflexões no debate foram parecidas e apontavam para o nosso instinto de perversão e domínio feitos pelos métodos legais, governamentais e científicos. A cara de pau e o oportunismo dos que se apoderam do poder para garantir benefícios particulares. E a maquiagem de macaco no elenco que mereceu o Oscar de 1969.

Abençoado pelos deuses do cinema, o vale pizza dessa semana saiu para Sergio Gomes. Que pode retirá-la na pizzaria do Xico Pizza ou comer lá mesmo. Sirva-se!

25 de jul de 2012

171ª Exibição - 19 de julho de 2012


A 171ª sessão do nosso CINEMA DE 5ª foi atípica por conta dos diversos eventos simultâneos que aconteceram na cidade de Jacareí, não pudermos utilizar a Sala Mário Lago, nossa casa habitual, e novamente fomos abrigados nas dependências da Fundação Cultural. Mesmo assim, nosso público fiel nos prestigiou como sempre fazem, comparecendo apesar da mudança inesperada de local e da acomodação providenciada.

Como aperitivo, tivemos o curta "O Livreiro" de Wagner Rodrigo Silva, documentando a questão do livro digital e seu análogo de papel no Brasil. Elogiado pelos espectadores por tocar num assunto importante: a leitura e a preservação desse hábito tão pouco incentivado dentre a grande maioria dos brasileiros, o título passeia por diversos temas, como a democratização da digitalização do saber e o prazer incomparável de se ter um livro físico nas mãos, folheando cada página, fazendo anotações e levando-o embaixo do braço para qualquer lugar. Até mesma a questão do áudio-book foi levantada durante o debate, uma necessidade para aqueles que não podem enxergar ou não sabem ler e um produto pronto para as mídias digitais, que hoje colocam obras antes presas somente a estante na tela até do seu celular.
Bem filmado, usando uma câmera de apóio para entrecortar o ângulo fotografado das pessoas ouvidas, o curta recebeu algumas críticas por começar direto em meio a uma discussão sem uma prévia contextualização, que prepararia melhor o público sobre a questão. Também pelo falta de imagens de apoio, tendo sua filmagem formada quase que inteiramente por closes nos depoentes, excetuando eventuais (e cansativos) dados informativos. Na esteira, foi levantada uma falha na linguagem, que não encaixa tão bem os debates ao entrecortar a fala de um entrevistado com outro, assim, por vezes, mudando totalmente a conversa que se formava, sem se aprofundar nela (vide a questão de ser impossível viver como escritor em terras tupiniquins devido às baixas vendagens). Algo até entendível já que seria impossível se estender demais, por mais interessante e abrangente que fosse o tema, como é o caso, em apenas 5 minutos de filme, logicamente. A sensação final foi de que o trabalho é elogiável na iniciativa, contudo, pouco acrescenta por se prender em sua proposta somente de forma superficial.

Já como aperitivo principal tivemos a exibição do longa “Uma Escola de Arte Muito Louca” (Art School Confidential) de Terry Zwigoff. A película baseada nos quadrinhos de Daniel Clowes (na verdade um pequeno conto composto por apenas quatro folhas) marca a segunda parceria do cineasta com o prestigiado autor de HQs, que já rendera o ótimo e virtualmente desconhecido “Ghost World” de 2002. Contudo, aqui, logo nossos sagazes críticos notaram que o nome estilo “sessão da tarde” já denunciava os diversos pontos fracos da versão filmada. Muito da realidade das escolas de arte (como os tipos que a freqüentam) e o sarcasmo adotado por Clowes no original sobreviveu no roteiro co-escrito por ele.

Não por acaso, as melhores cenas encontram-se justamente onde esses pedaços de originalidade são mantidos na trama, claro, gerando situações realmente engraçadas (como a notória guerra de egos entre os “artistas” e o que de fato é arte?) e uma paródia sincera sobre as peculiaridades do ambiente e das pessoas num curso desse porte (uma vez que se baseia nas lembranças do próprio criador). Todavia, todos esses trechos são apenas pontuais, enquanto o restante do enredo perde-se no “feijão com arroz” da comédia-romântica com um pouquinho de suspense. Elementos que levam a um final considerado fraco unanimemente pelos presentes, além de "fantasiar" demais a história, perdendo muito daquele interessante conceito “biográfico” presente na sua contraparte desenhada. Acontece que era necessário inventar muita coisa para transformar as parcas páginas de Clowes num longa-metragem de 102 minutos. Nesse caminho de “engorda” os produtores optaram por alternativas populares ao invés de investir nas qualidades indies herdadas do gibi da qual livremente adapta.

O romance “água com açúcar”, piadas clichê e uma esquisita subtrama de assassinatos no campus foram prontamente adicionados só para chegarmos ao formato audiovisual concebido por Zwigoff, amputando o que a narrativa poderia ter de mais interessante em prol de algo bem mais vendável e garantido para o grande público. Divertindo, mas sem maiores “pretensões”. Parafraseando um dos próprios personagens dessa maluca narrativa: o filme “prostituiu” sua arte para ganhar um espaço maior de mercado. Enfraquecendo substancialmente seu impacto, no processo.
Nessa semana, por motivos logísticos, não tivemos nenhum sorteio, mas na próxima quinta, de volta a nosso cine-teatro costumeiro, teremos muitas novidades no CINECLUBE JACAREÌ. Aguardem!!!    

14 de jul de 2012

170ª Exibição - 12 de julho de 2012

Cinema de 5ª

Semana passada o CINEMA DE 5ª havia batido o recorde de expectadores no ano, para nossa alegria. E agora o recorde não só foi batido novamente como tivemos o maior público dos últimos dois anos de CINECLUBE JACAREÍ, que completará cinco “aninhos” de existência ainda em 2012. Parabéns, rapaziada! Agradecemos demais ao apóio de todos vocês que sempre nos prestigiam semanalmente e a essa equipe fantástica que faz deste projeto um orgulho da região e do cinema regional. Dito isso, devemos agradecer também as férias do meio de ano, que costuma nos ajudar a ter mais convidados, devido ao maior tempo livre, e a uma programação bem chamativa, que incluiu o clássico da animação japonesa “Akira” (um pedido de longa data de nossos freqüentadores) e dois aperitivos de uma só vez: o clipe musical "Lua Cheia - Emanuelle n’ Roll" e o curta animado "Minha Querida Formiga".
Clipes musicais é uma categoria importante de nosso festival anual que culmina na premiação CORVO DE GESSO que ocorre todo final do ano, desta vez, o escolhido da noite, "Lua Cheia - Emanuelle n’ Roll" de Magnum Borini trouxe uma divertida homenagem ao rei do pop Michael Jackson, apresentando os “monstros do rock”. Na pele da banda Emanuelle n’ Roll se transformando em vampiros, lobisomens e outras tantas criaturas da cripta, ao melhor estilo “Thriller”. A peça dividiu opiniões, com alguns curtindo o som e outros não, até por gostos pessoais, enquanto a maquiagem hora era ressaltada, hora debochada, com alguns a levando a sério e outros entendendo que seu aspecto “tosco” era justamente parte da brincadeira. O vídeo na verdade lembrou muito os clips “caseiros” de rock feitos com as antigas câmeras VHS no início dos anos 80, numa era em que a MTV ainda engatinhava e começava a moldar o formato moderno e menos brega da música que conhecemos hoje nos videoclipes em Alta-Definição. Uma “nostalgia” visual que se foi feita propositadamente é de se admirar, ou caso tenha sido mero ocaso acidental pela falta de qualidade e amadorismo, de se lamentar.
Já o desenho "Minha Querida Formiguinha Lalá", a principio, foi muito criticado, quase de forma unânime, pela pobreza visual e pelo conteúdo simplório. Todavia, como foi sabiamente lembrado durante o debate, seu maior mérito foi ter sido feito independente de suas falhas técnicas e/ou artísticas. Até de forma ingênua, se aventurando de coração aberto pelo audiovisual, aprendendo a fazer e a contar histórias, num exemplo que serve de estimulo para aqueles que também produzem, mas escondem suas obras, temerosos por qualquer eventual crítica ou mesmo deixam de realizar seus projetos por se julgarem incapazes. O autor Ailton Machado Diniz está de parabéns pela coragem de dar esse passo e caminhar sem receios pela Sétima Arte, com todas as indiossicrassias possíveis, que fazem parte da experiência cinematográfica, afinal. Talvez o título tivesse sido até melhor recebido se não fosse pela exibição de “Akira” logo na seqüência, pois a perfeição do longa de Katsuhiro Otomo deixa exageradamente nítida as imperfeições do curta que o precedeu. Proporcionalmente, um “gigante” perto de uma simples “formiguinha”. Infelizmente.

Falando em “Akira”, o famoso anime estreou nos cinemas nipônicos no dia 16 de julho de 1988, curiosamente, sua esperada exibição no CINEMA DE 5ª se deu no dia 12 de Julho de 2012, quatro dias antes de completar 24 anos! Mas nem parece que tanto tempo se passou assim. O longa-metragem permanece irretocável em sua técnica mesmo para os padrões de agora. Sua fluidez de movimentos, quantidade de objetos por take, cenários super detalhados, foram frutos de um empenho admirável que o coloca no mais alto patamar de qualidade que o "2D" é capaz de chegar. Mesmo introduzindo, de forma inovadora pra época, alguns rudimentares elementos em computação gráfica, a obra-prima de Otomo sempre será lembrada como um referencial imbatível quando o assunto é desenhar ambiciosamente tudo à mão, na raça e no capricho do diretor e sua competente equipe. E é nesses detalhes que “Akira” faz toda diferença. Como o total sincronismo labial (coisa rara até então) e uma trilha que mistura instrumentos tradicionais da terra do sol nascente com o eletrônico - numa mistura do “velho” com o “novo”.

Muito foi comentado após a sessão sobre essa pujança (que faz de “Akira” a mais cara animação japonesa já produzida). Algo que salta aos olhos de quem gosta do gênero. Igualmente, fartos elogios foram feitos ao enredo, que consegue condensar uma quantidade enorme de tramas e personagens em duas parcas horas de filme, que passam rapidinho, cheia de mudanças bruscas, num ritmo frenético que pode pegar os mais desavisados desprevenidos. Estes, correndo o risco de se perderem pelos caminhos que a saga dos motoqueiros rebeldes de Neo-Tokyo acaba tomando. Baseado no mangá homônimo lançado entre 1982 e 1990, a narrativa toca em assuntos importantes, vide o crescimento desgovernado das megalópoles, trazendo consigo problemas sociais como o aumento do desemprego, incapacidade do estado em dar suporte as necessidades básicas da super população e a conseqüente escalada da violência urbana (que o filme mostra sem poupar gotas de sangue), sobretudo, entre os jovens. Presos num beco sem-saída de drogas e/ou rebeldia como única alternativa de vida.

O fato de Tetsuo, um dos garotos delinqüentes da gangue comandada pelo amigo, Kaneda, despertar incontroláveis poderes psíquicos, demonstra a preocupação de Otomo com o futuro e o despreparo das novas gerações, denunciando através de sua “fantasia realista” que a sociedade se preocupa mais com o desenvolvimento das grandes cidades do que na devida capacitação humana. Deixando-os despreparados para desfrutar dos avanços da ciência e incapazes de dar os saltos desejados tanto socialmente quanto espiritualmente. Essa falta de investimento no homem (ao contrário do seu maquinário) fica claro também no descontrole simbolizado por Akira, a criança que dá nome ao filme e que deveria servir de exemplo para que os equívocos do passado não fossem cometidos novamente - repetindo a roda destrutiva que a humanidade se colocou ao ignorar valores mais importantes em detrimento das coisas materiais. Assim, o cineasta passeia por uma vasta variedade de temas, como a corrupção política, estados totalitários para “amenizar” o caos generalizado, seitas que pregam a (falsa) salvação, e a inevitável (num olhar mais pessimista) destruição em massa - caso não ocorra uma verdadeira evolução humana.

A sessão de “Akira” não poderia ter acontecido em melhor hora para o CINECLUBE JACAREÍ, que estava realmente precisando engrossar seu número de animações exibidas (esta é apena a segunda a aparecer em sua programação). Um épico que quebrou barreiras (como a lenda que dizia que “desenho era somente pra crianças”) e abriu as portas para que o mangá e o anime se tornassem cada vez mais populares no ocidente. O longa continua extremamente atual, em temos de imagem e mensagem que transmite ao público, propiciando aos que não o conheciam uma oportunidade única para descobrirem esse filme tão reverenciado (não por acaso). Além de permitir a seus fãs mais ardorosos o assistirem num lugar mais apropriado: nas telonas do cinema.
Fechando as cortinas, em nossa hora da PIZZA DO CHICO, o vencedor do VALE PIZZA foi o André Nogueira. “Bon Appétit” ao vencedor e até a próxima quinta!

11 de jul de 2012

169ª Exibição - 05 de Julho de 2012

O CINEMA DE 5ª desta semana foi cheia de emoções fortes, principalmente nos bastidores, excelente público, o maior do ano, e um atraso na exibição do curta forçou o CINECLUBE JACAREÍ a mudar seu cronograma habitual e mostrar o longa primeiro, por conta do tempo que seria perdido e dos problemas técnicos que nos pegaram de surpresa. Contudo, correrias a parte para finalizar o evento sem maiores tropeços, tudo correu bem e tanto o filme “Homem-Aranha” quanto o aperitivo "Zé Fumaça Pára de Fumar" foram passados para os expectadores sem qualquer trauma ou problema que pudesse tirar o brilhantismo dessa belíssima noite cinematográfica.

Começando igualmente com o longa-metragem, programado para chegar junto com a quarta película do “Homem-Aranha” nos cinemas, podemos dizer que a recepção foi das melhores, deixando muitos dos presentes ansiosos para assistir a nova aventura do herói nas telonas. O original do diretor Sam Raimi, lançado em 2002 (iniciando uma trilogia de enorme sucesso de bilheteria), foi muito elogiado, principalmente pelos fãs declarados do personagem, um dos mais humanos já criados, exatamente por isso, de fácil identificação. Tecnicamente impecável, com efeitos ainda impressionantes, a obra diverte e também passa uma mensagem super positiva: “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. Raimi demonstra toda sua competência costumeira, misturando aventura, ação, comédia, romance e até algumas pitadas “trash”, gênero predileto do cineasta. Independente de qualquer crítica que possa ser feita ao enredo, excessos e divergências entre os quadrinhos e a versão filmada, é inegável que “Homem-Aranha” é uma ótima fantasia, sem sombra de dúvida.

Parte do encanto da peça filmada por Raimi vem do conhecimento que o diretor tem do personagem. Fã de longa data do Aranha, ele consegue resgatar todo o clima e a personalidade tão característica de seus gibis, mais especificamente suas espetaculares HQs da década de 70, das quais Raimi é mais familiarizado, felizmente. Extraindo dessa “fase de ouro” seus principais elementos e ganhando com isso material suficiente para construir com muita nostalgia um Peter Parker bastante real e envolvido com dramas relevantes, isso, sem disfarçar sua colorida fantasia, em contraponto a filmes mais “sombrios”, que temem serem ridicularizados por este tipo de “caricatura” - que aqui foi enfrentada sem medo. Suas únicas concessões foram trocar a “aranha radioativa” por uma alterada geneticamente (algo mais apropriado para os novos tempos) e retirar os lançadores de teia trocando-o por algo orgânico e parte dos poderes de Peter, seguindo tendências dos quadrinhos atuais. Todavia, é interessante notar que tal apego as clássicas abordagens do “amigão da vizinhança” tem impacto até mesmo no visual adotado, onde de forma atemporal o diretor prefere fotografar uma Nova Iorque mais antiga. De prédios envelhecidos, evitando a arquitetura muito “high tech”. Emulando exatamente os terraços e becos da época que o aracnídeo costuma escalar quando foi criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962.

Lee, pai de boa parte do panteão Marvel, trouxe para os quadrinhos americanos uma humanidade que faltava a seus super-heróis, retratados até então como semideuses, figuras imaculadas cuja moral e atitudes eram inquestionáveis, vide Superman da editora rival DC, então, invulnerável (excetuando a kriptonita, claro) e representando bem um ideal de perfeição, principalmente, para os jovens leitores o terem como figura referencial. Contudo, com o amadurecimento da Nona Arte, outros tipos eram necessários, assim, monstros como Hulk, deuses egoístas como Thor, famílias problemáticas como o Quarteto Fantástico e nerds como Homem-Aranha ganharam espaço. Sem falar do racismo presente em X-Men... Modificações que forçaram a própria DC a modernizar suas crias, fazendo, por exemplo, do Batman, uma figura tão atormentada e psicótica quanto os vilões que enfrenta. Realismo que ajudou a torná-los cada vez mais conhecidos. Mesmo Superman precisou seu reformulado, com roteiros dando mais atenção para o humano Clark Kent do que para seu alter ego kriptoniano.

Raimi soube traduzir muito bem essa linguagem, talvez sua maior contribuição tenha sido compreender tão bem o trabalho central de Lee. Ao ponto de ter errado no ponto apenas quando precisou retratar um vilão mais contemporâneo. Venom, no terceiro capítulo da saga. Pois o simbionte alienígena (criado nos anos 90) é de uma geração diferente da do diretor, por isso sua dificuldade de entendê-lo e reproduzi-lo com precisão. Prejudicando a qualidade do produto. O que - no fim - o fez abandonar a série, quando por consenso ele e o estúdio sentiram que seus contos, mesmo bem-feitos e ganhando somas volumosas de dinheiro, estavam mais próximos das HQs de décadas atrás do que das produzidas no século XXI. Sendo necessário, portanto, mudar o curso das coisas e entregar para outro comandante, mais ligado ao que acontece hoje nas histórias do “Homem-Aranha”, a capitania das futuras aparições de Peter Parker nas grandes telas. O que será tentado na comentada empreitada que estreou nesta sexta, um recomeço que zera tudo, reapresentando o personagem numa roupagem mais consistente com a forma como ele é retratado agora - e visando os mais identificados com essa visão do personagem, que difere bastante da anterior.
Quanto a animação minuto "Zé Fumaça Pára de Fumar", as pessoas regiram bem a piada e ao sarcasmo pretendido ao mostrar a “hipocrisia” de um fumante tentando ensinar o “certo” - não fumar - e acabar incentivando justamente o contrário. O curta explora o comportamento do pai fumante, algo que pode influenciar negativamente a criança, que pode copiá-lo no hábito - nada saudável - do tabagismo. Abre-se aqui até uma discussão maior, sobre o quanto os filhos seguem (ou não) as atitudes dos pais, ou são mais facilmente seduzidos pelo discurso, de seus próximos ou mesmo vindos de outros meios, como o próprio audiovisual, fazendo do desenho uma metalinguagem igualmente sugestiva. Contudo, em seus 60 segundo de projeção, o impacto do “mal exemplo” se destacou mais no debate do que o humor negro contido na critica “faça o que digo, não o que faço”. Mesmo em termos técnicos, se o conceito de bonecos palitos pareceu para muita gente correto e colaborando com a brincadeira de tão “tosco”, outros criticarem a pobreza visual dessa escolha, preferindo um trabalho de animação mais elaborado pra dar suporte ao controverso material, no final.

Pra fechar a 169ª exibição do CINEMA DE 5ª tivemos, como não poderia faltar, o sorteio de um VALE PIZZA gentilmente cedido pelo parceiro XICO PIZZA. E o vencedor do brinde foi Lucas Plesky, que saiu esfomeado atrás de seu saboroso prêmio. Até a próxima, pessoal!